Quiet quitting e revenge quitting: como identificar e evitar?

Recentemente, dois fenômenos sobre o comportamento dos profissionais dentro das empresas têm chamado a atenção de gestores e especialistas em recursos humanos: quiet quitting e revenge quitting.

Ambos representam respostas diretas à insatisfação e ao esgotamento no ambiente de trabalho, mas manifestam-se de formas distintas.

O quiet quitting descreve colaboradores que continuam na empresa, mas cumprem apenas o mínimo necessário de suas funções. Já o revenge quitting ocorre quando um profissional decide sair abruptamente, como forma de protesto ou retaliação.

Nesse sentido, é importante pontuar que, segundo relatório da Gallup, o engajamento global dos colaboradores caiu para aproximadamente 21%, enquanto 62% se declararam “não engajados” e 17% “ativamente desengajados”, indicando terreno fértil para os fenômenos.

Essas tendências revelam uma mudança na forma como os profissionais enxergam o trabalho e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

No contexto atual, em que o bem-estar e a saúde mental tornaram-se prioridades, a falta de reconhecimento, sobrecarga e ausência de propósito desconectam emocionalmente os colaboradores da empresa.

Sem perder isso de vista, continue a leitura deste conteúdo e entenda como evitar quiet quitting e quais estratégias contra revenge quitting implementar.

O que são quiet quitting e revenge quitting?

Quiet quitting é o comportamento de profissionais que fazem apenas o necessário, sem engajamento emocional ou esforço extra. Já o revenge quitting ocorre quando o colaborador decide sair da empresa de forma súbita e estratégica, como resposta a más experiências, conflitos internos ou insatisfação acumulada.

Como quiet quitting e revenge quitting impactam a empresa?

Ambos os comportamentos reduzem o desempenho organizacional e fragilizam a cultura organizacional. Enquanto o quiet quitting corrói a produtividade de forma silenciosa, o revenge quitting gera rupturas imediatas, prejudicando projetos e equipes. No longo prazo, essas atitudes aumentam a rotatividade, comprometem o clima e minam a confiança nas lideranças.

Entenda os impactos negativos desses comportamentos:

  • queda na produtividade: profissionais desmotivados entregam menos e afetam o ritmo das equipes;
  • aumento do turnover: saídas inesperadas elevam custos com recrutamento e treinamento;
  • deterioração do clima organizacional: a insatisfação se espalha e impacta o engajamento coletivo;
  • prejuízo à reputação da marca empregadora: empresas associadas à falta de bem-estar perdem atratividade;
  • perda de talentos estratégicos: colaboradores altamente qualificados podem sair em busca de ambientes mais saudáveis.

Como identificar sinais de quiet quitting e revenge quitting?

Observe se há:

  • queda na produtividade do time e aumento de atrasos nas entregas das demandas;
  • falta de participação em reuniões e projetos;
  • isolamento social e desinteresse por feedbacks das lideranças e dos pares;
  • reclamações frequentes sobre gestão ou carga de trabalho;
  • comunicação fria ou ausência repentina de engajamento.

Queda de produtividade

Um dos primeiros sinais de quiet quitting e revenge quitting é a diminuição gradual da entrega. O colaborador faz apenas o mínimo e evita assumir responsabilidades adicionais, o que afeta diretamente a performance da equipe.

Isolamento e desinteresse

Profissionais desengajados tendem a se afastar de colegas e se mostrar alheios às metas coletivas. Esse comportamento indica perda de pertencimento e desmotivação crescente.

Comunicação fria

Mensagens curtas, respostas automáticas e falta de iniciativa em conversas podem sinalizar um distanciamento emocional, especialmente quando o colaborador antes era participativo.

Reclamações constantes

Críticas repetitivas sobre a liderança, a carga de trabalho ou a ausência de reconhecimento podem ser alertas de um possível revenge quitting, indicando acúmulo de frustração.

Como evitar quiet quitting?

É necessário haver uma liderança atenta ao aspecto humano e uma cultura que valorize o equilíbrio e o propósito. A principal estratégia para evitar o quiet quitting consiste em fortalecer o vínculo emocional entre colaborador e empresa, com reconhecimento, comunicação transparente e oportunidades de crescimento na organização.

Fortaleça o diálogo e o feedback

Incentive conversas abertas e constantes. O feedback construtivo cria um senso de evolução e pertencimento e reduz a sensação de invisibilidade que provoca desengajamento.

Valorize o reconhecimento

Pequenos gestos de reconhecimento têm impacto direto na motivação. Celebre conquistas e reconheça esforços, não apenas resultados. Dessa maneira, é possível reforçar a percepção de que cada contribuição é importante.

Invista em desenvolvimento

Treinamentos e planos de carreira mantêm o colaborador desafiado e engajado. A falta de perspectivas de crescimento é uma das principais causas do quiet quitting.

Promova equilíbrio e bem-estar

Ofereça benefícios voltados à saúde física e mental, como apoio psicológico, horários flexíveis e incentivo ao descanso. Um colaborador saudável é naturalmente mais produtivo e engajado.

Crie uma cultura de propósito

Conecte o trabalho individual ao impacto coletivo. Colaboradores que entendem a relevância do seu papel tendem a se comprometer mais com os objetivos da empresa.

Quais estratégias contra revenge quitting posso adotar?

O revenge quitting geralmente surge quando a empresa falha na resolução de conflitos e negligencia sinais de insatisfação profunda dos colaboradores. A prevenção contra esse comportamento passa por uma escuta ativa e uma liderança empática, capaz de agir antes que o problema se torne irreversível.

Tente implementar as seguintes estratégias.

Monitore o clima organizacional

Pesquisas de clima e canais anônimos de feedback ajudam a identificar insatisfações antes que se transformem em rupturas. Escutar é o primeiro passo para evitar decisões impulsivas de saída.

Tenha políticas de gestão justas

A percepção de injustiça é uma das principais causas de revenge quitting. Certifique-se de que as promoções, recompensas e reconhecimentos sigam critérios transparentes.

Ofereça suporte emocional em momentos críticos

Situações de sobrecarga, conflito com líderes ou crises pessoais podem ser gatilhos para saídas abruptas. Ter um RH preparado para oferecer apoio psicológico faz toda a diferença.

Desenvolva líderes empáticos

Treinar gestores para ouvir, orientar e reconhecer é essencial. Líderes despreparados são os principais responsáveis por gerar descontentamento e rupturas.

Construa planos de retenção de talentos personalizados

Com base em análises de perfil e desempenho, desenvolva planos de retenção individualizados, oferecendo benefícios corporativos, desafios e oportunidades que façam sentido para cada colaborador.

Como melhorar o engajamento de colaboradores?

Implemente as seguintes estratégias:

  • crie canais que favoreçam a escuta ativa;
  • estabeleça uma cultura de feedback contínuo;
  • reconheça esforços individuais e coletivos;
  • ofereça recompensas personalizadas;
  • promova o equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
  • estimule o desenvolvimento contínuo e a aprendizagem;
  • fortaleça a cultura de pertencimento e propósito.

A “saída” e a “vingança silenciosa” são sintomas de um ambiente que perdeu sua conexão com as pessoas. Entender seus sinais e causas é essencial para que líderes e gestores construam relações mais transparentes, humanas e sustentáveis.

Investir em benefícios de bem-estar, reconhecimento e desenvolvimento contínuo é uma das principais estratégias contra revenge quitting e quiet quitting.

Mais do que evitar perdas, trata-se de criar uma cultura em que cada colaborador se sinta valorizado, ouvido e parte de um ambiente em que o engajamento não é imposto, mas naturalmente cultivado.
Este conteúdo foi produzido pela Ticket, que, há mais de 45 anos, facilita a vida de empresas e trabalhadores em todo o Brasil. Com soluções que promovem alimentação, bem-estar, saúde e qualidade de vida, a marca vai além das regulamentações para oferecer benefícios que realmente fazem bem — dentro e fora do trabalho.

Imagem: Nataliya Vaitkevich / Pexels